Diagnóstico Nutricional Kuwombola III: Dados que Salvam Vidas
Um estudo de base abrangente sobre a desnutrição em Majune, Ngauma e Mandimba.
Em Moçambique, o desenvolvimento sustentável e a produtividade agrícola estão intrinsecamente ligados à saúde das comunidades rurais. Na RC Consultor, acreditamos que qualquer intervenção de impacto deve basear-se em dados rigorosos e numa compreensão profunda da realidade local. Recentemente, a nossa atenção voltou-se para a província do Niassa, onde a análise de indicadores nutricionais é fundamental para desenhar estratégias eficientes de combate à insegurança alimentar.
Este artigo explora os resultados e a metodologia aplicada no Estudo de Base para o Projeto Kuwombola III, financiado pelo FOFeN, destacando a importância da recolha de dados antropométricos para a tomada de decisão baseada em evidências.

O Desafio: Diagnosticar para Intervir
A província do Niassa, apesar do seu vasto potencial agrícola, enfrenta desafios estruturais no que concerne à Segurança Alimentar e Nutricional (SAN). Para que iniciativas como o Projeto Kuwombola (que em Yao significa “Salvar”) tenham eficácia, é imperativo estabelecer um “ponto zero” ou linha de base.
O desafio central deste estudo consistiu em documentar a situação real da desnutrição aguda e crónica em grupos vulneráveis — crianças dos 0 aos 5 anos, adolescentes, mulheres grávidas e lactantes — nos distritos de Majune, Ngauma e Mandimba. Sem este diagnóstico preciso, torna-se impossível medir o progresso ou alocar recursos onde são mais necessários.
A Nossa Abordagem Metodológica
Na RC Consultor, defendemos que a qualidade da informação determina a qualidade da acção. Neste estudo, foi aplicada uma metodologia mista, combinando a recolha quantitativa de dados antropométricos com abordagens qualitativas junto das comunidades e autoridades locais de saúde.
O rigor científico foi garantido através de:
- Parâmetros da OMS: Utilização de indicadores padrão como o Perímetro Braquial (MUAC), relação Peso/Altura e Altura/Idade.
- Ferramentas de Análise Avançada: Processamento de dados através de softwares estatísticos especializados (ENA, SPSS e ArcMap para análise espacial), minimizando margens de erro.
- Envolvimento Institucional: Articulação direta com a Direção Provincial de Saúde (DPS) do Niassa e os Serviços Distritais de Saúde, Mulher e Acção Social (SDSMAS).
Esta abordagem permitiu-nos não apenas compilar números, mas compreender as dinâmicas locais de acesso à saúde e práticas alimentares.
Resultados e Evidências do Terreno
A análise dos dados recolhidos no primeiro semestre de 2021 revelou cenários distintos que exigem atuações diferenciadas. O estudo abrangeu uma análise sobre um universo populacional significativo, permitindo extrair conclusões relevantes:
1. Heterogeneidade da Desnutrição Aguda
Os dados indicam variações importantes entre os distritos, o que reforça a necessidade de soluções localizadas e não genéricas:
- Distrito de Majune: Apresentou uma taxa de desnutrição aguda de 1,99%, com a Unidade Sanitária de Muaquia a registar a maior incidência, exigindo priorização nas intervenções.
- Distrito de Mandimba: Com uma vasta cobertura de recolha de dados, registou uma taxa de 0,83%. Contudo, a Unidade Sanitária de Mississi destacou-se negativamente, sinalizando um foco de atenção.
- Distrito de Ngauma: Apresentou os indicadores mais baixos de desnutrição aguda (0,26%), mas a vigilância deve manter-se constante, especialmente na zona de Luelele.
2. O Fator Crítico da Cobertura
Identificámos que a taxa de cobertura das crianças avaliadas em relação à população total rondou os 16,3%. Este dado evidencia a necessidade de reforçar as campanhas de mobilização comunitária e a busca ativa, garantindo que as crianças em zonas recônditas não sejam “invisíveis” às estatísticas de saúde.
3. Lacunas na Informação
A nossa análise detetou uma ausência sistemática de dados sobre o estado nutricional da população masculina adulta. A inclusão dos homens nas estratégias de monitoria é crucial, pois o seu estado de saúde impacta diretamente a força de trabalho agrícola e a economia familiar.
O Caminho a Seguir: Recomendações Técnicas
Com base nas evidências geradas, a RC Consultor recomenda uma abordagem integrada para a fase III do Projeto Kuwombola e iniciativas futuras:
- Focalização Geográfica: Redirecionar recursos intensivos para os “hotspots” identificados (Muaquia em Majune; Luelele e Chamba em Ngauma; Mississi em Mandimba).
- Integração Agricultura-Nutrição: Promover a diversificação de culturas nestas zonas específicas para combater não só a falta de alimentos, mas a falta de nutrientes (fome oculta).
- Monitoria Inclusiva: Estabelecer protocolos para o rastreio nutricional de homens e adolescentes do sexo masculino, garantindo uma visão holística da saúde familiar.
- Educação Nutricional Baseada em Dados: Utilizar os resultados sobre aleitamento materno e dieta mínima aceitável para desenhar campanhas de sensibilização mais assertivas e culturalmente adaptadas.
Conclusão
Acreditamos que o desenvolvimento rural de Moçambique se constrói com ciência, técnica e humanidade. Este estudo de base no Niassa não é apenas um relatório estatístico; é uma ferramenta de gestão vital para salvar vidas e potenciar o capital humano da província.
Na RC Consultor, continuaremos comprometidos em transformar dados complexos em estratégias claras de sustentabilidade, apoiando os nossos parceiros na implementação de projetos que deixam um legado positivo e mensurável.
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